Ensino para uma geração conectada
Tecnologia e Educação -
18/10/2013 - Andrea Ramal
Aqui você pode ler alguns trechos da entrevista à
Folha Dirigida, no Especial de Educação (15/10/13).
FOLHA: O
que precisaria mudar, nas metodologias pedagógicas, para tornar o processo
educacional mais interessante para esta geração Z?
ANDREA RAMAL: Creio
que três pontos devem mudar. Primeiro: o currículo da escola precisa ser mais
hipertextual. Em vez de conteúdos isolados e distantes da realidade, organizar
o conhecimento em redes de saberes, numa lógica não-conteudista e não-linear,
por meio de estratégias didáticas que rompam com os modelos formais de
sequenciação de conteúdos. Segundo, a aprendizagem deve passar a acontecer em
redes cooperativas. Isso implica incorporar as tecnologias como ambientes de
aprendizagem. Mas não só com tablets ou laboratórios de informática. No
contexto da cibercultura, é preciso refundar a escola, a sala de aula e as
formas de aprender e ensinar. Terceiro: a escola precisa trabalhar integrando
mais a família, num currículo que inclua a formação em valores. Uma educação que
ajude cada jovem a descobrir-se como agente histórico, ser político e social,
cidadão engajado em transformações que promovam o bem estar de toda a
comunidade.
FOLHA: Qual
o perfil do professor capaz de encantar e despertar o interesse pelo
aprendizado nesta geração Y?
ANDREA RAMAL: É
um professor que integra três papeis. Primeiro: é um arquiteto cognitivo, traça
as estratégias e os métodos mais adequados para que o aluno chegue à construção
ativa do conhecimento. Como o aluno, ele também precisa se apropriar com
segurança e destreza de todos os recursos tecnológicos, transformando sua sala
de aula num ambiente de aprendizagem interativo e conectado com o mundo. Além
disso, ele é um dinamizador da inteligência coletiva, que ajuda grupos de
estudantes a ressignificar o link (laço) entre saberes, disciplinas, e também
entre pessoas. Motiva os jovens a trabalhar em cooperação – mas não só no mundo
virtual – e a estabelecer diálogos e parcerias produtivas, numa síntese
multidimensional e polifônica, com respeito entre si e “educando uns aos outros
em comunhão”, como imaginou Paulo Freire muito antes da internet. Por fim,
precisa ser um educador: estimular a consciência crítica, atuar na formação
ética.
FOLHA: É
indiscutível a necessidade de modernizar as práticas pedagógicas. Mas, há
procedimentos e diretrizes mais tradicionais do ensino que, apesar desta
necessidade, devem permanecer? Quais?
ANDREA RAMAL: Muitos
precisam permanecer. A educação tradicional prezava pela formação em valores,
como o respeito pelos demais, o cuidado pelo espaço público, a responsabilidade
com os compromissos assumidos. Na educação clássica havia grande gosto pelos
desafios intelectuais, vividos em jogos e competições saudáveis entre os
alunos. Ensinava-se teatro, música e outras artes e humanidades. Tudo isso, se
incorporado com práticas atualizadas para a pedagogia de hoje, pode ser bem
interessante para a formação integral de crianças e jovens.
FOLHA: A
seu ver, qual a principal característica da escola das próximas gerações? Por
quê?
ANDREA RAMAL: A
escola das próximas gerações precisa ser a escola que construa uma nova forma
de pensar o planeta. Nosso atual modelo de produção e consumo está esgotado. É
um modelo gerou infelicidade e frustração, reforçou as desigualdades,
contaminou o meio ambiente. A escola precisa se reconstruir a partir do
conceito de desenvolvimento sustentável, que supõe satisfazer as necessidades
das gerações de hoje sem comprometer a qualidade de vida das gerações futuras.
O novo cidadão precisará pensar fora da caixa para construir esse novo modelo
social, baseado em sustentabilidade e equidade. Cabe à escola formar essas
novas mentes, não só conectadas e interativas, mas sobretudo inteligentes e
sensíveis.
http://www.andrearamal.com.br/tecnologia-e-educacao/ensino-para-uma-geracao-conectada
Nenhum comentário:
Postar um comentário